sábado, 9 de julho de 2016

Estado Islâmico

O Estado Islâmico, ou ISIS, representa uma ameaça para a humanidade, inclusive para um bilhão e meio de islâmicos que não apoiam seus atos e nem mesmo sua existência. Mas como existem, lamentavelmente, grupos de cristãos tentando transformar o combate ao ISIS uma guerra entre cristãos e islâmicos, devo dizer antecipadamente que esta postagem não pretende defender islâmicos ou se opor aos cristãos, pretende apenas colaborar com a compreensão de como tudo começou, quais as possibilidades de desenvolvimento e como melhor combater esse mal.
Outro oportunismo aparece na política dos EUA, apoiadores do Partido Republicano, inclusive brasileiros, direcionam a responsabilidade pela situação que o ISIS criou, ao presidente Barack Obama. George W. Bush declarou publicamente que a situação saiu de controle devido à retirada das tropas americanas do Iraque, abrindo margem para a interpretação de que sem a retirada das tropas, o ISIS não existiria.

O mantenedor deste blog não pretende defender os Democratas nem o presidente Obama, tampouco responsabilizar os Republicanos ou o ex-presidente Bush. O vídeo abaixo apresenta informações importantes para o entendimento da situação, para melhor entender o texto após o vídeo, é importante ver todo o comentário da professora de história árabe da USP.

 Jornal da Cultura - 07/07/2016
 
O primeiro ponto a ser abordado é o surgimento do ISIS, quatrocentos mil soldados expulsos após terem sido derrotados, sem dúvida uma maneira eficiente de criar um novo inimigo. Mas é importante lembrar que a rede terrorista Al Qaeda não atuava no Iraque quando Saddam governava, mas conseguiu instalar grupos no território logo após a derrota do Saddam.

O segundo ponto, é a operação no Afeganistão, que começou antes da ocupação do Iraque e tinha como alvo a própria rede terrorista Al Qaeda. A operação no Afeganistão desestruturou completamente a Al Qaeda, esse é o motivo mais plausível para a implantação de um Estado Islâmico, com território próprio, governo próprio e exército próprio, que permitiria treinar terroristas sem depender dos territórios e governos de outros países.

Outro fator para implantar o Estado Islâmico, é a possibilidade de atrair muçulmanos extremistas, que não estariam dispostos a lutar, mas trabalhariam de outras formas na manutenção de território. Se o território conseguisse se manter, conseguiria se expandir e talvez ter como aliados outros países. Não vamos esquecer que o ISIS surgiu com a modesta intenção de dominar o mundo.

A situação atual pode ser considerada totalmente desfavorável ao ISIS, embora continue sendo uma ameaça ao mundo. Os dois pontos principais são: a) o ISIS já perdeu a maior parte do território que tinha dominado; b) É o exército iraquiano que está fazendo a guerra terrestre, não os EUA. A proposta de um Estado Islâmico já está sucumbindo, resta a opção de atentados terroristas ao estilo da Al Qaeda, mas não existe estrutura para organizar atentados contra governos, podem apenas atacar a população, especialmente populações islâmicas.

O risco de atentados à danceteria, pizzaria, sorveteria, padaria e outros estabelecimentos, continua grande, mas o efeito político só enfraquece o terrorismo islâmico, que caminha para a extinção, ou quase extinção. Bush pode ter cometido erros estratégicos em relação ao Afeganistão e ao Iraque, mas as operações eram necessárias. Obama pode ter cometido erros estratégicos na retirada do exército americano do Iraque, mas a retirada era necessária.

Somando erros e acertos, o resultado é a substituição do terrorismo da Al Qaeda, pelo terrorismo do ISIS, mas o ISIS está sucumbindo e não se mostra capaz de deixar alguma herança estrutural ou idealista. Republicanos e Democratas devem reconhecer que ambos podem ter cometido erros, mas ambos contribuíram para superar os terroristas que estão sucumbindo, devem debater sobre questões políticas, como sempre fizeram, mas contra o terrorismo devem apenas colaborar o melhor que podem.

(Milton Valdameri, julho de 2016).



3 comentários:

  1. Agora só falta dizer que Maomé era americano...

    E o Talibã, Boko Haram, Al Shabab, Hamas, Jemaah Islamiyah, Frente Nusra, Khorasan e por aí afora? São criações americanas também ou serão eles apenas mensageiros da doçura que é o Corão?

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    1. Em nenhum momento foi dito que o ISIS, ou qualquer outro grupo terrorista, foi criação americana. Mas não é segredo que Bin Laden recebeu treinamento da CIA para combater a URSS no Afeganistão, o Talebã também recebeu apoio dos EUA para combater a URSS, no final ambos se voltaram contra os EUA, o Talebâ assumiu o controle do Afeganistão e o Bin Laden montou a Al Qaeda.

      O Saddam foi aliado dos EUA até a invasão do Kuwait e não foi tirado do poder na Guerra do Golfo, porque havia o risco de alguém pior assumir o poder. É necessário saber a diferença entre criar algo e a consequência de algo. Quando a doçura do Corão, eu nada posso dizer, pois não conheço seu texto, mas escolas de Israel permitem que os alunos islâmicos tenham aulas de islamismo, então é aconselhável perguntar para o governo de Israel se é doce ou não.

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